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Os Castelos do Vale do Loire fizeram parte de uma viagem especial que realizamos em família por algumas cidades da Normandia, Bretanha, Pays de la Loire e Île-de-France. Ao longo de 15 dias, percorremos nove destinos, na seguinte sequência: Rouen, Étretat, Honfleur, Arromanches-les-Bains, Mont Saint-Michel, Saint-Malo, Rochefort-en-Terre, Nantes, Clisson e Paris, vivenciando paisagens, história e culturas distintas.
Nessa viagem, graças ao planejamento do nosso filho e da nossa nora, tivemos a oportunidade de visitar sete castelos, cada um com sua própria história, arquitetura e características. Foram eles: Château du Clos Lucé, Château Royal d’Amboise, Château de Chenonceau, Château de Chambord, Château de Villandry, Château de Clisson e Château de Josselin.
Nesta página, apresentamos nossas experiências nesses magníficos castelos, acompanhadas de fotos e informações que podem ajudar você a conhecer um pouco mais sobre esses fascinantes patrimônios franceses e, quem sabe, incluí-los em seu próprio roteiro de viagem.
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DICAS DE VIAGEM CASTELOS VALE DO LOIRE
• Sobre os Castelos do Vale do Loire
• Quando ir ao Vale do Loire / Melhor época para visitar
• Château du Clos Lucé
• Château Royal d’Amboise
• Château de Chenonceau
• Château de Chambord
• Château de Villandry
• Château de Clisson
• Château de Josselin
• Informações básicas para sua viagem
O Vale do Loire está localizado no centro-oeste da França e acompanha o curso do rio Loire, o mais longo do país, em uma região marcada por belas paisagens, cidades históricas, vinhedos, jardins e, principalmente, pelos magníficos castelos que se espalham por seu território. Mais do que um conjunto de construções imponentes, o Vale do Loire é considerado um dos grandes patrimônios culturais franceses e, em 2000, teve parte de sua paisagem cultural reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

Rio Loire em Amboise
A história da região está profundamente ligada à própria formação da França. Durante a Idade Média, o Loire era uma importante via de comunicação e comércio, enquanto seus castelos tinham inicialmente funções defensivas. Depois da Guerra dos Cem Anos, a partir da segunda metade do século XV, a região ganhou ainda mais importância quando a corte francesa passou a frequentá-la. As antigas fortalezas medievais começaram então a ser transformadas em elegantes residências de lazer, incorporando as novidades artísticas e arquitetônicas do Renascimento italiano.

É justamente essa combinação de história, arquitetura e natureza que torna o Vale do Loire tão especial. A região reúne centenas de castelos e propriedades históricas, desde grandes palácios reais até pequenas residências senhoriais, além de jardins, cidades medievais e extensas áreas de vinhedos. Alguns dos castelos mais famosos tornaram-se verdadeiros símbolos da França e atraem visitantes de todo o mundo, enquanto outros, menos conhecidos, permitem descobrir um lado mais tranquilo e igualmente encantador do chamado “Vale dos Reis”.

Percorrer os Castelos do Vale do Loire significa muito mais do que visitar antigas construções: é viajar por uma paisagem que preserva séculos da história, da cultura e da arte francesas. Além da arquitetura e da história, o Loire também é uma região de forte tradição gastronômica e vinícola. Seus vinhedos produzem uma grande variedade de vinhos, e a culinária local inclui queijos de cabra, embutidos e outras especialidades que complementam a experiência de conhecer a região.

Balcões frigoríficos exclusivamente de queijos

A primavera e o início do outono são considerados os melhores períodos para conhecer os Castelos do Vale do Loire, quando as temperaturas são agradáveis e o movimento de turistas é menor do que no verão. Entre abril e junho, os jardins estão especialmente bonitos, enquanto setembro e outubro oferecem paisagens de outono e clima ainda favorável. O verão também é uma boa opção, principalmente pelos dias mais longos, mas é a época de maior movimento. Já no inverno, além do frio e dos dias mais curtos, alguns castelos têm horários reduzidos ou podem permanecer fechados.
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Aqui temos um castelo que merece um tratamento especial, porque o Clos Lucé não é apenas mais um castelo do Loire: ele está diretamente ligado aos últimos anos de vida de Leonardo da Vinci.
Localizado em Amboise, a apenas cerca de 400 m do Château Royal d’Amboise, o Château du Clos Lucé é conhecido principalmente por ter sido a última residência de Leonardo da Vinci. A história do lugar, porém, começou muito antes de sua chegada. Construído em tijolos e pedras de tufo no século XV, o imóvel foi adquirido pelo rei Carlos VIII em 1490 e transformado em residência de lazer da família real francesa. Mais tarde, o local também recebeu Louise de Savoie, mãe do futuro rei Francisco I.


Foi em 1516, aos 64 anos, que Leonardo da Vinci atravessou os Alpes a convite de Francisco I e se instalou no Clos Lucé. O artista levou consigo seus cadernos, desenhos e manuscritos, além de três obras-primas que estavam entre seus trabalhos mais importantes: A Mona Lisa, Santa Ana, a Virgem e o Menino e São João Batista. No Clos Lucé, Leonardo recebeu o título de “Primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do rei” e passou seus últimos anos cercado pela corte francesa, continuando a estudar, desenhar e desenvolver suas inúmeras ideias.



A visita à residência permite conhecer ambientes associados ao cotidiano do artista, entre eles seu quarto, o ateliê e o oratório. Um dos momentos mais interessantes é justamente entrar no espaço onde Leonardo passou seus últimos anos e imaginar que aquelas paredes testemunharam a presença de um dos maiores gênios da história. Foi também no Clos Lucé que Leonardo morreu, em 2 de maio de 1519, aos 67 anos. A ligação com o Château Royal d’Amboise, que visitamos anteriormente, fica ainda mais evidente: os dois locais estão separados por apenas alguns minutos de caminhada.




Além do castelo e dos jardins, o complexo conta atualmente com galerias dedicadas a Leonardo como pintor e arquiteto. Reserve algumas horas para conhecer o Clos Lucé com calma. O próprio local recomenda de 1h30 a 3 horas para conhecer o conjunto, dependendo do que se pretende visitar.



Mas o Clos Lucé vai muito além da casa histórica. Em um parque dedicado a Leonardo da Vinci, encontramos modelos em tamanho real de diversas máquinas projetadas a partir de seus desenhos, permitindo entender de maneira muito mais concreta a dimensão de sua criatividade. Há reproduções de máquinas voadoras, pontes, mecanismos hidráulicos, equipamentos militares e outras invenções. Algumas podem inclusive ser movimentadas pelos visitantes, transformando a visita em uma experiência bastante interessante, principalmente para quem viaja com crianças.


Os jardins do Château du Clos Lucé são outro destaque da visita. Muito bem cuidados e cuidadosamente planejados, formam um agradável conjunto de caminhos, árvores, flores e plantas, criando diferentes ambientes ao redor da residência. No chamado Jardim de Leonardo, foram reunidas espécies que aparecem em suas pinturas, como pinheiros, freixos e ciprestes, além de rochas, uma gruta, nascentes e pequenas cascatas, compondo uma paisagem que parece uma verdadeira extensão das obras do artista.


Entre os elementos que encontramos durante a caminhada está também uma curiosa ponte autoportante inspirada em um projeto de Leonardo da Vinci. Sua estrutura é formada por peças de madeira encaixadas e apoiadas umas sobre as outras, dispensando pregos e parafusos para manter o conjunto firme. É um daqueles detalhes que chamam a atenção mesmo de quem não conhece a história do projeto e tornam o passeio pelos jardins ainda mais interessante.

O Château Royal d’Amboise ocupa uma posição privilegiada sobre um promontório rochoso às margens do rio Loire, dominando a cidade de Amboise e proporcionando uma das mais bonitas vistas da região. Embora sua história remonte à Idade Média e o local já fosse fortificado séculos antes, foi a partir do final do século XV que o castelo ganhou a aparência que o tornou famoso. O responsável pela grande transformação foi o rei Charles VIII, que nasceu em Amboise em 1470 e passou parte da infância no castelo. Depois de se casar com Anne de Bretagne, em 1491, decidiu transformar a antiga fortaleza medieval em uma luxuosa residência real. A partir de 1492, começaram grandes obras, incluindo novos edifícios, a elegante Capela Saint-Hubert e duas enormes torres cavaleiras, que permitiam a circulação de cavalos e carruagens desde a cidade até o alto do castelo. Charles VIII morreu prematuramente aos 28 anos, antes de ver concluído o ambicioso projeto. Curiosamente, ele é o único rei da França que nasceu e morreu em um castelo do Vale do Loire, e, nos dois casos, foi em Amboise.

A transformação de Amboise coincidiu com um momento decisivo da história francesa: o encontro entre a tradição medieval e as novas ideias artísticas do Renascimento italiano. Charles VIII havia participado de campanhas militares na Itália e voltou para a França acompanhado por artistas e profissionais italianos. Seu sucessor, Louis XII, continuou as obras, e posteriormente François I também passou longos períodos em Amboise. A presença desses soberanos fez do castelo um dos principais centros da vida política e cultural francesa nos séculos XV e XVI. Ali aconteceram nascimentos, batismos, casamentos de membros da família real, negociações políticas e outros acontecimentos importantes. Foi também em Amboise que François I e outros membros da família real tiveram contato com artistas e intelectuais que ajudaram a introduzir na França o gosto pela arquitetura, pintura, escultura e jardins inspirados na Itália. O próprio castelo considera Amboise um dos lugares onde se manifesta a primeira expressão da Renascença francesa.

Outro aspecto que merece atenção são as torres cavaleiras, uma das grandes inovações arquitetônicas do projeto de Charles VIII. As torres Heurtault e Minimes foram concebidas para permitir que cavalos e carruagens alcançassem o nível superior do castelo sem a necessidade de enfrentar escadarias. Elas possuem rampas em espiral de dimensões impressionantes e são testemunhos de uma época em que o castelo ainda precisava conciliar funções militares, residenciais e cerimoniais. A escala dessas estruturas ajuda a entender a importância que Amboise alcançou na época em que a corte francesa passou a frequentar intensamente o Vale do Loire. Hoje, subir por essas torres é também uma oportunidade de observar a cidade e o rio Loire de diferentes ângulos.

Com o passar dos séculos, porém, Amboise perdeu a posição central que havia ocupado durante o Renascimento. A corte francesa passou a privilegiar outras residências, e o castelo foi sendo parcialmente desmantelado. Grande parte do gigantesco complexo original desapareceu, restando apenas uma fração do que existia nos tempos de Charles VIII e François I. Mesmo assim, estudos recentes mostram que aproximadamente 75% do castelo construído durante o reinado de Charles VIII ainda subsistem, algo bastante significativo quando lembramos das profundas transformações sofridas pelo conjunto ao longo dos séculos.

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O Château de Chenonceau é, provavelmente, um dos mais fotogênicos entre os castelos que visitamos no Vale do Loire. Construído sobre o rio Cher, o conjunto impressiona principalmente pela longa galeria que atravessa o curso d’água, criando uma imagem que parece saída de um conto de fadas. O castelo atual começou a ser construído entre 1513 e 1517 por Thomas Bohier, administrador das finanças de Francisco I, mas foi sua esposa, Katherine Briçonnet, quem teve papel fundamental na condução da obra. Do antigo castelo medieval, dos séculos XII e XIII, restou apenas a chamada Tour des Marques.


Chenonceau é conhecido como o “Castelo das Damas”, pois sua história foi marcada por uma sucessão de mulheres que construíram, ampliaram, embelezaram e preservaram o monumento. Entre elas está Diane de Poitiers, favorita do rei Henrique II, que recebeu o castelo em 1547. Foi ela quem mandou construir a famosa ponte sobre o Cher e criou os jardins que ainda hoje levam seu nome. Após a morte de Henrique II, em 1559, sua esposa, Catarina de Médicis, afastou Diane e assumiu Chenonceau, dando continuidade às obras e acrescentando uma segunda galeria sobre a ponte. O interior do castelo também encanta, com seus belos ambientes, mobiliário elegante, tapeçarias, obras de arte e uma decoração cuidadosamente preservada.



A grande galeria de Chenonceau é uma das partes mais impressionantes da visita. Construída entre 1570 e 1576 por determinação de Catarina de Médicis, possui cerca de 60 m de comprimento e 6 m de largura, sendo iluminada por 18 janelas. Com piso de pedra de tufo e ardósia, teto com vigas aparentes e grandes lareiras renascentistas nas extremidades, o espaço foi inaugurado em 1577 durante festas oferecidas por Catarina em homenagem ao seu filho, o rei Henrique III. Hoje, caminhar por essa galeria sobre o rio Cher proporciona uma das experiências mais marcantes de toda a visita.



Os jardins também fazem parte do encanto de Chenonceau. O Jardim de Diane de Poitiers, com seus canteiros geometricamente desenhados, roseiras e mais de uma centena de hibiscos, ocupa uma área de aproximadamente 12.000 m². Já o Jardim de Catarina de Médicis, mais intimista, possui cerca de 5.500 m² e combina gramados, roseiras, lavandas e buxos em um desenho cuidadosamente planejado. O enorme parque ainda reúne um jardim inglês, um labirinto formado por cerca de 2.000 teixos e outros espaços que fazem do passeio muito mais do que uma simples visita ao interior do castelo.


Além do interior do castelo, vale muito a pena caminhar pelos jardins e observar o monumento de diferentes ângulos. Se houver tempo, uma caminhada às margens do Cher permite perceber ainda melhor a singularidade de sua arquitetura. Para nós, Chenonceau foi um daqueles lugares em que a realidade parece superar as fotografias: o castelo sobre o rio, cercado pelos jardins e pela paisagem, forma um conjunto realmente espetacular.


Chegar ao Château de Chambord é daqueles momentos em que a gente entende por que ele é considerado um dos maiores símbolos da arquitetura renascentista francesa. Construído em meio à floresta de Sologne, o castelo impressiona pelo tamanho, pela quantidade de torres, chaminés, janelas e detalhes esculpidos. Sua construção começou em 1519, por ordem do rei Francisco I, que desejava criar uma residência extraordinária, capaz de demonstrar seu poder e impressionar soberanos e embaixadores.


Fachada principal do Château de Chambord

Fachada norte do Château de Chambord, voltada para os jardins à francesa
Curiosamente, Chambord não foi pensado como uma residência permanente: Francisco I permaneceu ali por apenas algumas semanas ao longo de seu reinado, utilizando principalmente o local como refúgio para suas caçadas e como uma espécie de grande palco para exibir a grandiosidade da monarquia francesa.


Embora o arquiteto responsável pelo projeto continue sendo desconhecido, a influência de Leonardo da Vinci é bastante evidente em vários elementos de Chambord. Francisco I conheceu melhor o trabalho do artista italiano após suas campanhas na Itália e, em 1516, convidou Leonardo para viver na França. A presença de soluções semelhantes às encontradas nos cadernos de Leonardo, principalmente no desenho centralizado do castelo e no famoso sistema de escadas, é um dos motivos pelos quais sua participação no projeto é considerada muito provável. Assim, depois de termos conhecido o Château du Clos Lucé, onde Leonardo passou seus últimos anos, visitar Chambord cria uma ligação especialmente interessante entre os dois lugares.



E é justamente no interior do castelo que encontramos uma das grandes atrações associadas a Leonardo da Vinci: a famosa escadaria de dupla hélice. Ela é formada por duas escadas independentes que sobem em espiral, uma ao lado da outra, ao redor de um espaço central. Quem sobe por uma delas consegue enxergar quem está utilizando a outra, mas os dois caminhos não se cruzam. A solução é tão engenhosa que até hoje provoca uma espécie de brincadeira entre os visitantes, que tentam acompanhar alguém pela escada oposta sem conseguir encontrá-lo.

Ao centro da imagem, a escadaria de dupla hélice

A escadaria conduz aos diferentes pavimentos e, finalmente, às impressionantes terrazas, de onde podemos observar de perto a floresta de chaminés, torres e elementos decorativos que formam a característica silhueta de Chambord. As terrazas são, aliás, um dos pontos altos da visita. Do alto, temos uma visão privilegiada dos telhados e da enorme quantidade de detalhes arquitetônicos que dificilmente podem ser percebidos quando observamos o castelo do chão. São torres, lanternas, chaminés, esculturas e ornamentos que parecem formar uma verdadeira cidade de pedra. No segundo andar, também chamam a atenção as grandes abóbadas decoradas com os símbolos de Francisco I, especialmente a letra “F” e a salamandra, emblema pessoal do rei. Chambord possui atualmente mais de 60 ambientes abertos à visitação, permitindo conhecer diferentes partes do enorme edifício.



O exterior também merece bastante tempo. O Château de Chambord está inserido em uma propriedade de aproximadamente 5.433 hectares, cercada por um muro de cerca de 32 km de extensão. O parque foi concebido originalmente para atender à paixão de Francisco I pela caça e continua sendo um dos grandes destaques da propriedade. O rio Cosson atravessa a área e contribui para a beleza da paisagem, enquanto a floresta cria um cenário que ajuda a explicar a escolha daquele local para a construção do castelo. É difícil olhar para Chambord sem perceber que o projeto não se limitou ao edifício: todo o ambiente ao seu redor foi pensado para reforçar a sensação de grandiosidade.


A construção, iniciada no reinado de Francisco I, levou muito tempo para ser concluída. O castelo somente ficou pronto durante o reinado de Luís XIV, no século XVII, quando também foram desenvolvidos os jardins e outras estruturas da propriedade. O Rei Sol esteve diversas vezes em Chambord acompanhado de sua corte e, em 14 de outubro de 1670, o próprio Molière apresentou ali, pela primeira vez, sua famosa comédia O Burguês Fidalgo, diante de Luís XIV e de seus convidados. É uma curiosidade e tanto imaginar que, séculos atrás, esses mesmos espaços foram cenário de festas e apresentações da corte francesa.


O Château de Villandry é um dos mais conhecidos castelos do Vale do Loire e, provavelmente, um dos que mais surpreendem pela harmonia entre arquitetura e jardins. Localizado a aproximadamente 15 km de Tours, o atual castelo foi construído a partir de 1532, quando Jean Breton, secretário de Finanças do rei Francisco I, adquiriu a antiga propriedade de Colombiers e decidiu substituir a fortaleza medieval existente por uma elegante residência renascentista. A antiga fortificação, porém, não desapareceu completamente: sua torre medieval, conhecida como donjon, foi incorporada ao novo edifício e ainda pode ser vista integrada à construção. A construção foi concebida para ser uma residência confortável, iluminada e aberta para os jardins, em vez de uma fortaleza destinada à guerra. Villandry é considerado o último dos grandes castelos renascentistas construídos no Vale do Loire.



Se o castelo impressiona, são os jardins de Villandry que provavelmente ficarão por mais tempo na memória do visitante. Eles ocupam diferentes níveis de terraços e foram concebidos para formar uma verdadeira composição artística, vista de cima e também percorrida a pé. Entre os principais espaços estão o Jardim Ornamental, o Jardim da Água, a Horta Decorativa, o Jardim das Ervas, o Labirinto, o Jardim do Sol e os famosos jardins ornamentais chamados Jardim do Amor e Jardim das Cruzes.


Para nós, Villandry representou uma mudança bastante interessante no roteiro. Depois de conhecermos as imponentes características militares de Josselin e Clisson, chegamos a um castelo em que a preocupação com a defesa praticamente dá lugar à beleza, ao conforto e à integração com a natureza. E, embora a construção seja belíssima, são os jardins, com suas formas geométricas, flores, árvores, água e principalmente a extraordinária horta ornamental, que fazem de Villandry uma visita tão especial. É um daqueles lugares em que o visitante termina o passeio com a sensação de ter conhecido não apenas um castelo, mas uma verdadeira obra de arte a céu aberto.


O Château de Clisson é uma imponente fortaleza medieval erguida sobre um esporão rochoso às margens do rio Sèvre Nantaise, na cidade de Clisson, a cerca de 30 km de Nantes. Sua história começou no século XI, quando uma primeira estrutura defensiva de madeira ocupava o local; a partir do século XII, ela foi substituída progressivamente por uma construção de pedra. A posição era extremamente estratégica e o castelo ajudava a controlar a entrada da cidade e a proteger o território. Ao longo dos séculos, a fortaleza foi sendo ampliada e modernizada, até transformar-se, especialmente entre os séculos XIII e XV, em um dos mais importantes complexos militares da região. Suas muralhas, torres, fossos, ameias, seteiras e estruturas destinadas à artilharia mostram que sua função principal era mesmo defesa. Uma das construções mais impressionantes é a torre-mestra, com cerca de 35 m de altura, enquanto a chamada Torre Saint-Louis, acrescentada no século XIII, chega a aproximadamente 25 m.


Apesar de toda essa imponência, o destino do castelo seria bastante diferente nos séculos seguintes. A partir da segunda metade do século XVII, seus proprietários deixaram de utilizá-lo como residência, e a fortaleza começou a perder importância. Durante a Guerra da Vendée, em 1793, o castelo foi incendiado pelas tropas republicanas, transformando-se em uma enorme ruína. E é justamente aí que começa uma história curiosa: em 1805, o escultor François-Frédéric Lemot conheceu Clisson e ficou encantado com a paisagem da cidade e do vale da Sèvre Nantaise. Inspirado pelas paisagens italianas que conhecera em Roma, Lemot decidiu transformar a região em um cenário romântico, adquiriu o bosque de La Garenne e, posteriormente, comprou também as ruínas do castelo, em 1807, para incorporá-las à sua concepção paisagística. O artista passou, portanto, a olhar para aquelas ruínas não como um problema a ser reconstruído, mas como um elemento pitoresco da paisagem. O castelo foi finalmente classificado como Monumento Histórico em 1924 e, em 1962, o Departamento de Loire-Atlantique adquiriu o imóvel da família Lemot.


O entorno do Château de Clisson também merece ser apreciado com calma. A área é cercada por vegetação abundante, árvores, gramados e belas paisagens, com o rio Sèvre Nantaise compondo um cenário especialmente agradável. É um daqueles lugares que convidam a caminhar sem pressa, sentar à sombra e simplesmente aproveitar o ambiente. Para quem viaja em família ou com amigos, os espaços verdes são ainda uma ótima opção para estender o passeio e fazer um agradável piquenique, aproveitando a tranquilidade e a beleza da paisagem ao redor do castelo.

O Château de Clisson está próximo de uma das rotas históricas que conduzem os peregrinos a Santiago de Compostela, na Espanha. A cidade integra caminhos utilizados por peregrinos que atravessam a França em direção à famosa cidade galega, destino final do tradicional Caminho de Santiago. Assim, além de sua importância histórica e arquitetônica, Clisson também está ligada a essa antiga tradição de peregrinação que, há séculos, movimenta viajantes de diferentes partes da Europa.


O Château de Josselin é daqueles lugares que parecem ter saído de um conto medieval. Localizado na pequena cidade de Josselin, o castelo está instalado sobre um promontório rochoso às margens do rio Oust. Por volta do ano 1008, o visconde Guéthénoc de Porhoët construiu ali uma primeira fortificação, dando origem ao núcleo que posteriormente se transformaria no castelo atual. A posição era estratégica tanto para a defesa quanto para o controle das rotas da região. Ao longo dos séculos, a fortaleza passou por guerras, destruições e reconstruções, até ganhar uma configuração muito mais imponente a partir de 1370, quando Olivier de Clisson iniciou uma grande transformação do local. Foram erguidos altos muros, torres e um poderoso sistema defensivo, fazendo de Josselin uma das fortalezas mais importantes da região. Das antigas estruturas medievais, as três grandes torres que ainda dominam a paisagem junto ao canal de Nantes-Brest são hoje algumas das imagens mais marcantes do castelo.


Mas o que torna Josselin especialmente interessante é que o visitante encontra dois castelos em um só. De um lado, voltado para o rio, estão as imponentes torres e os elementos que lembram a função militar da antiga fortaleza. Do outro, voltada para o pátio interno, aparece uma verdadeira obra de arte em pedra: a extraordinária fachada de aproximadamente 70 m de comprimento, construída no final do século XV. É um dos mais belos exemplos do gótico flamboyant, com uma quantidade impressionante de detalhes esculpidos no granito. Essa transformação mostra bem a mudança de função dos castelos franceses: de fortalezas destinadas à guerra para luxuosas residências de famílias nobres. A família Rohan, ligada ao castelo desde a Idade Média, continua proprietária do imóvel, que permanece como uma residência privada, embora parte dele esteja aberta à visitação.
O acesso ao interior é naturalmente limitado por se tratar de uma propriedade ainda habitada.


Ao redor do Château de Josselin encontra-se o antigo núcleo fortificado da cidade, que começou a se desenvolver praticamente junto com o castelo, no início do século XI. Josselin chegou a ser cercada por uma importante muralha, com três portas de acesso, Saint-Nicolas, du Lion e Saint-Martin, e seu conjunto defensivo foi ampliado e reconstruído diversas vezes ao longo da história. Embora grande parte das antigas fortificações tenha desaparecido, ainda é possível encontrar trechos das muralhas e vestígios que ajudam a imaginar como era a cidade medieval.


Hoje, essa antiga área fortificada continua surpreendentemente viva. Dentro e ao redor do Centro Histórico encontramos ruas estreitas, pequenas casas, lojas, restaurantes e outros estabelecimentos, ocupando construções que preservam características da arquitetura tradicional da região. Caminhar por esse conjunto é quase tão interessante quanto visitar o próprio castelo, pois permite perceber como a antiga cidade medieval se transformou em uma pequena cidade turística sem perder sua identidade. Entre as construções históricas estão casas com estruturas de madeira e antigas edificações ligadas ao comércio, lembrando que Josselin prosperou durante séculos com suas feiras e atividades comerciais.


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